24 novembro 2009

Despedida

Com seus olhos fixos no chão, ele estava sentado na calçada quando eu cheguei. Ao me ver, ele levantou lentamente sua mão e acenou. Sua aparência era triste, mas ele se esforçou para sorrir.
Aproximei-me calmamente, então ele levantou e me abraçou. Foi um abraço longo e intenso, parecia de despedida. Olhou em meus olhos, beijou meus lábios secos e disse que me amava.
Vi a tristeza em seu olhar. Perguntei o que havia acontecido e ele disse-me baixinho em meu ouvido:
― Preciso ir...
As lágrimas correram seu rosto. Sentou-se novamente, mas dessa vez com as mãos escondendo a face molhada.
Sentei-me também e lhe fiz compainha. Ainda sem entender o motivo, perguntei mais uma vez o que havia acontecido. Ele não soube explicar e foi embora sem olhar para trás.
Dias depois recebi uma ligação, era ele. Sua voz rouca e grave disse-me que nada mais dava certo entre nós e, sem esperar resposta, desligou. Mais uma vez fiquei sem entender nada.
No mesmo dia, um pouco mais tarde, sua mãe veio conversar comigo. Ela explicou-me o motivo de ele estar assim. Um rio de lágrimas desceu de meus olhos. Meu eterno amor escondeu sua doença de mim e em nenhum momento ele se mostrou frágil ou sensível.
Liguei várias vezes e fui até sua casa para poder ter conversa, mas ele não queria sair de seu quarto enquanto eu não fosse embora.
No dia seguinte sua mãe ligou dizendo que ele se foi para sempre e que deixou uma carta para mim.

Sophie,
Perdoe-me por não ter lhe contado e por não lhe deixar ficar por perto nestes últimos dias, você não merecia ver-me definhar e nem eu queria que você visse-me assim.
Quero que sabias que eu te amo muito, mais que a mim mesmo e quero também que você guarde apenas nossos momentos felizes, que foram muitos.
Meu amor, não chores por mim. Quero o teu sorriso clareando teu belo rosto hoje, sei que isso deve ser difícil para você agora, mas tente esforçar-se por mim.
Estarei a te observar até o dia em que poderei abraçar-te novamente.

Do sempre seu,
Jullius.
               
                Como ele disse na carta, era difícil mostrar meu sorriso em um momento como aquele. Mesmo com uma dor terrível no peito, mesmo sentindo que a qualquer momento eu iria desabar em lágrimas, eu iria atender ao último pedido seu.

08 novembro 2009

Adeus


Nesta noite fria os pensamentos vão além do impossível. Revejo os recortes de palavras variadas que fiz. Na verdade nem sei o porquê dos recortes. Mas, fazendo uma montagem com todos eles, é possível perceber as palavras que não foram ditas pra ti. Organizando bem todas elas, revivo toda aquela história. E, fazendo isso, vejo que nossa relação não passou de pedaços, recortes. Lembro claramente o quanto eu me importava e você apenas não ligava para nada. Vi o quanto me envolvi e o quanto você brincou.
Já acostumei a te odiar ao contrário. E apesar de tudo, ainda existe a saudade. Noto que, com o passar do tempo, ela vai aumentando. Você se foi e não disse nem para onde ia e nem se iria voltar.

[...]

Depois de um tempo longe de você, sinto que já não me importo mais com a distância. A saudade, que antes crescia, agora já não existe mais. Meus pensamentos começam a si encaixar. Vejo que você já não era mais o mesmo quando partiu. Aquelas palavras duras que ouvi, não eram para serem ditas para mim. Na verdade você queria ouvi-las. Isso serviria de desculpas para você ter ido embora.

30 setembro 2009

Eu estive pensando muito...

Seria tão diferente se as coisas que gostamos não terminassem de repente. E se os momentos da vida durassem para sempre, se cada sorriso no rosto fosse pleno e quando chorássemos fosse só de alegria. Se cada abraço fosse imortalizado e cada conversa fosse gravada minuciosamente. Se as amizades fossem multiplicadas e os desentendimentos esquecidos no próximo segundo. Se os amores fossem eternos e se nossos irmãos nunca partissem.
Mas a vida é diferente e deve ser vivida plenamente.
Cada dia é uma história, cada passo uma conquista e cada pedra no caminho é uma forma de amadurecimento.
E, mesmo que o tempo passe, e que as coisas mudem, é olhando para trás que nos damos conta que simplesmente vivemos.

Encontrei por ai...

20 setembro 2009

E escrevo pra dizer...


Alex,

Hoje não pude te contar como foi meu dia, até porque achei que iria te incomodar demais falando de todos os problemas que tive que resolver e também aqueles que ficaram para depois.
Depois de tanto tempo, hoje percebi o quanto sinto sua falta, o quanto preciso de sua presença para ter uma aparência mais feliz. Já passei por decepções, já chorei muito por quem não merecia minhas lágrimas, mas também já sorri bastante. Já senti sua falta muitas vezes, mas hoje isso parece estar insuportável.
Leio e releio seus pensamentos escritos para mim, não me canso de fazer isso, acho que nunca vou cansar... Também não paro de ler as cartas que não pude lhe entregar, ficaram jogadas numa gaveta, mas não esquecidas.

De quem ainda te quer como antes,
Susan.

"É, a vida é assim, o tempo passa
E fica relembrando
Canções do amor demais"
 A carta que não foi mandada - Vinícius de Moraes

27 julho 2009

Quem sabe...

Queria te ter aqui perto de mim, para sentir teu calor, para me sentir aconchegada em teus braços macios, para sentir teu cheiro inesquecível, para poder me sentir mais viva...
Depois daquele dia, senti que ainda estamos na mesma sintonia, que ainda existe alguma coisa boa entre nós...

"E nossa história não estará pelo avesso assim, sem final feliz. Teremos coisas bonitas pra contar e até lá, vamos viver, temos muito ainda por fazer. Não olhe pra trás, apenas começamos, o mundo começa agora..."

Quem sabe um dia não poderemos recomeçar, ou continuar de onde paramos... Viver sem restrições, viver apenas do nosso jeito, sem precisar pedir permissão...

 "Tenho certeza que vou te encontrar, não sei o dia nem a hora, mas sei o lugar. Sei que você está bem e mesmo assim isso não me impede de chorar..."

25 julho 2009

Saudade...

"Eu não sei o que faço com a saudade guardada em meu peito. Ela me destrói, me põe em pedaços. Rasga o vel dos meus sonhos e encobre a beleza do meu viver. Me diz o que é que ficou de nós, se a solidão de meus dias sem você é sofrimento constante? Não quero viver apenas meu eu sem você por perto. Quero mesmo é morrer, morrer em teus braços por tanto te amar, jogar pra bem longe a minha triste solidão e me encontrar de vez em você."

Lucas Costa 

21 junho 2009

Eternamente

Lá em cima os albatrozes se mantêm imóveis no ar
E nas profundezas das ondas
Nos labirintos das cavernas de corais
O eco de um tempo distante
Vem magicamente pela areia
E tudo é verde e submarino

Estranhos passando na rua
Por acaso dois olhares separados se encontram
E eu sou você e o que vejo sou eu
E eu te pego pela mão
E te conduzo através do terreno
E me ajude a compreender o melhor que eu puder

E ninguém nos chama para seguir adiante
E ninguém nos obriga a fechar os olhos
E ninguém fala e ninguém tenta
E ninguém voa ao redor do sol
Entretanto todos os dias você cai sobre meus olhos despertos
Convidando e me incitando a subir

E através da janela na parede
Entram agitando as asas da luz do sol
Um milhão de brilhantes representantes da manhã
E ninguém canta uma canção de ninar para mim
E ninguém me faz fechar os olhos
E então eu derrubo as janelas escancaradas
E te chamo através do céu

18 junho 2009

"Acredito que facilmente você me encontraria nesses becos profundos de minha alma..."

Lucas Costa