It's just a small story, really.

Eis um pequeno fato...
Você vai morrer.
Se você quiser, venha comigo.
Vou lhe contar uma história.
É só uma pequena história, na verdade.
Sobre, entre outras coisas...
Uma menina
Algumas palavras...
Trechos de "A menina que roubava livros"
...

Era uma vez uma menina. Uma menina que sonhava bastante. Se você pensa que seus sonhos eram simples, como: ganhar aquela boneca no Natal; encontrar um grande amor, como nos contos de fadas; ter uma grande casa, com varanda e um quintal enorme para que seus netos pudessem brincar. Se você acha que seus sonhos eram assim, está enganado(a).
Ela sonhava em ser uma grande mulher, como a Joana D'Arc talvez, mas claro que ela não se arriscaria em uma guerra. Ela tinha seus medos e um deles era a morte, mesmo sabendo que um dia iria morrer.
Enquanto seu sonho não se realizava, ela escrevia sobre os fatos ocorridos em seu cotidiano. Possuía um caderno de recordações, algo parecido com um diário, mas nos diários, quase sempre existe uma história sobre amor e em seu pequeno caderno nada parecido com romance foi escrito. Ela nunca havia conhecido o amor, nunca, a não ser o amor que sentia pelos seus pais. Suas amigas lhe contavam sobre suas travessuras com os meninos e ela apenas escutava, pois não tinha nada a contar sobre isso.
Era uma garota que lia bastante, por isso era muito culta. Poderia conversar sobre vários assuntos, desde política à maquiagem e, com isso, tinha o respeito e a admiração de muitas famílias da sociedade daquela época.
Foi quando, em uma festa, conheceu um rapaz. Ele tinha um sorriso encantador, conversava bastante sobre os acontecimentos mundiais e locais, que foi o que mais chamou a atenção dela. Isso era o que a diferenciava das outras meninas daquele local. Ela se interessou pela inteligência dele e não por seu dinheiro ou status.
Certo dia ela recebeu uma carta com um remetente desconhecido.

Teor da carta:

Linda menina,

Escrevo-lhe esta carta, pois foi a forma menos tímida de lhe dizer o quanto lembro o primeiro e dia único dia em que lhe vi.
Não sei se a senhorita lembra-se de mim, mas eu realmente lembro bastante de seu rosto e de suas palavras.
Sei que esta é uma forma esquisita de dizer que lhe quero ver de novo, mas como já dito antes, apesar de falar bastante naquela festa, não me sinto corajoso em falar sobre coisas de amor pessoalmente.
Gostaria de receber uma resposta sua, se isso for possível e, claro, se você estiver disposta em responder-me.
Apenas diga que lembra-se de mim, já ficarei bastante feliz como isto.
De alguém que se encantou com o brilho de seus olhos,
Thomas.

Ela ficou bastante intrigada com o fato de alguém escrever-lhe uma carta, ainda mais uma carta de uma pessoa do sexo oposto ao dela. Mas, ao mesmo tempo, se sentiu lisonjeada por alguém ter lembrado-se dela. E também bastante feliz por esse alguém ser aquele rapaz da festa. Na mesma hora em que terminou de ler, pôs-se a escrever uma resposta.
Teor da resposta:

Caro Thomas,
Sinto-me feliz por receber sua carta e se você for quem estou pensando, quero que saiba que também lembro-me bem de sua voz e de seu sorriso.
Também sinto-me envergonhada em falar sobre romances, e não sei se me sentiria à vontade de falar-lhe isso olhando em seus olhos.
Desculpe-me pela letra tremida, é que a sua carta foi a primeira que recebi em toda a vida, portanto ainda estou um pouco emocionada.
Creio que o senhor gosta de ler, tanto quanto eu, portanto se o senhor prometer enviar-me alguma resposta, posso oferecer-lhe as mais belas palavras.
De alguém que admirou ouvir e ler suas palavras,
Emily.

Enviou-lhe a carta e ficou à espera da resposta. Passaram-se os dias e nenhuma carta era recebida em seu nome. Após um mês de espera, uma carta chegou e apressadamente ela pôs-se a lê-la.

Querida Emily,
                Quem lhe escreve esta carta é a mãe de Thomas. Soube que essa foi a primeira vez que vocês se corresponderam e sinto em dar-lhe esta notícia.
                Thomas está muito doente, os médicos disseram que lhe restam poucos dias, se ele tiver sorte terá um mês ainda.
Ele disse-me que está apaixonado por você, querida. Portanto, se possível, venha visitá-lo. Vi que seu endereço não é muito longe de nossa moradia e ficaria muito grata com sua visita.
Thomas, eu e meu marido, David, estamos esperando por você.
Atenciosamente,
Jessica.

Emily tinha os olhos marejados. Não conseguia acreditar naquilo que acabara de ler. Mal conheceu o amor e a vida já lhe era tão cruel assim.
Passados alguns momentos, ela tomou coragem e disse à mãe que iria à casa de uma amiga e saiu. Não demorou muito a encontrar a casa onde seu amor enfermo residia. Tocou o sino que chamava a atenção dos donos da casa.

― Creio que você seja Emily. – disse uma senhora de cabelos ruivos e olhos tristes, mas com uma expressão simpática no rosto. – Sou Jessica, mãe de Thomas. Entre, querida.
Emily entrou na casa olhando bem os detalhes, mas não prestou muita atenção, queria ter notícias de Thomas.
― Senhora, como ele está? – Emily tinha uma voz rouca e preocupada.
― Acompanhe-me, lhe levarei para vê-lo.
A mulher lhe direcionou as escadas e lhe mostrou uma entrada. No quarto estava um rapaz deitado em uma grande cama. Thomas estava muito pálido e quando seu olhar avistou Emily, tratou de mostrar seu mais belo sorriso.
― Linda menina, você veio. – Seus olhos encheram-se de lágrimas.
Emily não conseguia acreditar no que via, mas sabia que seus olhos não lhe trairiam. Era ele, o rapaz da festa.
Ela caminhava devagar em direção a ele. Uma lágrima caiu de seus olhos.
― Olá, Thomas. Claro que eu vim, esperei notícias suas durante um mês. Estava contado os dias por esse momento.
― Queria poder estar com uma aparência melhor para lhe oferecer um belo dia, mas como você pode ver, não posso dar-me o luxo nem de levantar desta cama. – Ele sorriu mais uma vez, desta vez seu sorriso era triste.
― Não se importe com isto, só de estar aqui já me sinto muito feliz. Como você se sente? – Ela sentou em uma cadeira próxima à cama e com uma mão, acariciou o rosto de Thomas.
― Já me sinto bem melhor com você aqui. – Thomas tossiu depois do que disse.
― Não minta para me agradar, Thomas.
― Não estou mentindo, linda, jamais mentiria para você.
Os dois passaram algumas horas conversando.

Depois daquele dia, Emily passou a visitá-lo frequentemente, pois os médicos perceberam que suas visitas faziam bem ao Thomas. Por sorte, ele teve mais um ano de vida. Eles namoraram, casaram e Emily estava esperando um filho quando ele se foi.
Após alguns anos ela decidiu ser uma grande mulher, assim como Joana D’Arc. Emily foi para a guerra tratar dos feridos. Ela faleceu quando foi atingida gravemente por uma bala que encontrou seu peito.
Thomas Willian Smith cresceu junto com seus avós e sentindo saudade de sua mãe e de seu pai desconhecido para ele.

Eis um pequeno fato...
Você vai morrer.

P.S.: É, foi uma história triste, mas foi o que deu vontade de escrever.

5 pensamento(s) diverso(s):

M. Davis Lima disse...

Falta-me a Sencibilidade que te 'sobra às bordas'. Mesmo que sejam estas, palavras tristes que venham de ti, sempre me impressiono ao vê-las escritas.

Nanda Soares disse...

Sinto-me grata por você se impressionar.
Agradeço seu pensamento!

Jose Victor Cardoso disse...

Oi nanda.. conheci o seu blog por acaso, quando estava no orkut e vi uma mensagem, aquelas repassadas por amigos, que fora enviada pelo meu primo Lucas, que é seu amigo. Dai entrei no blog despretenciosamente e li esta cronica, uma boa leitura que me conduziu até o final de modo instigante e trazendo a tona uma identificação com os dois personagens principais: introvertidos, em busca de verdades, emotivos e idealistas. Então fiquei ainda mais instigado em conhecer a mente criadora de tal texto, e descobri uma menina que estuda TI, assim como eu, faço ciencia da computação, unesp rio preto; e que gosta de ler e de se expressar.
Sendo assim gostaria de te convidar a ler meu blog, jvictorcardoso.blogspot.com

Nanda Soares disse...

Obrigada, moço!
Agradeço as suas palavras, visitarei seu blog!

NINA* disse...

Uma história cheia de sensibilidade, triste, porém linda.

Parabéns pelo blog.

bjinhos

Nina

www.devaneios-fragmentos.blogspot.com